Boletim temático - cultura
CULTURA
Juventude quer democratização do acesso, apoio à produção e valorização da diversidade
Os jovens querem participar mais da cultura, seja no consumo dos bens simbólicos existentes seja produzindo suas próprias manifestações. Este é o recado passado pelas propostas aprovadas durante a fase preparatória da 1a Conferência Nacional de Juventude que serão debatidas no encontro nacional que acontece de 27 a 30 de abril em Brasília.
O tema cultura foi o terceiro mais recorrente entre o conjunto de alternativas elaboradas nas conferências estaduais e livres. Um dos grandes desafios identificados é a falta de condições para o acesso aos bens culturais. Para vencê-lo, grande parte das propostas defende “popularizar, ampliar e facilitar acesso a espaços culturais”.
Uma das soluções apontadas é a criação de mais equipamentos culturais, especialmente públicos. Isso por que as atuais opções são vistas como excludentes pelo seu alto preço. “A população em geral – e principalmente a juventude – carecem de espaços bons, com programação constante e de qualidade. Boa parte da programação cultural é paga e cara!”, avalia Valério Bemfica, do Centro Popular de Cultura 8 de Março.
Segundo o secretário de programas e políticas culturais do Ministério da Cultura, Célio Turino, o órgão iniciou nos últimos anos um processo de democratização do acesso à cultura cuja maior expressão são os Pontos de Cultura, uma central de produção disponibilizada a diversos grupos culturais para fortalecer a elaboração e difusão de manifestações locais. A iniciativa do governo federal é citada nas propostas como uma medida positiva que deve ser ampliada.
Outra sugestão é o financiamento da fruição cultural, que poderia ser feita com a criação de vales, por exemplo. Os impeditivos atuais mostram a outra ponta do problema: os mecanismos de financiamento da cultura são limitados. De olho nisso, os participantes das etapas preparatórias foram uníssonos na defesa de maior apoio financeiro para “implementação, manutenção e/ou ampliação espaços, equipamentos e atividades culturais”. Aí, o financiamento não é visto somente como garantia de acesso, mas também de viabilização das produções dos próprios jovens. Mas também neste sentido há dificuldades a serem superadas.
“As leis de incentivo e o ‘mercado’ continuam sendo a grande fonte de financiamento. Só que elas não foram pensadas para garantir o surgimento e a sobrevivência de novos valores. Foram feitas para garantir o financiamento à nomes consagrados e a projetos midiáticos”, afirma Valério Bemfica. Segundo Célio Turino, o Ministério da Cultura vem trabalhando uma política de financiamento que combina a atualização da legislação sobre os mecanismos de apoio à produção de espetáculos e filmes, incluindo formas de apoio à fruição, e incentivos a partir de recursos governamentais destinados por meio de editais públicos.
A partir de uma leitura das propostas é possível perceber a demanda urgente por este tipo de medidas observando a valorização da diversidade para que o fomento à cultura não fique concentrado nas expressões do centro-sul do país. Contra isso as propostas defendem o apoio a produções regionais e locais, manifestações populares e tradicionais e expressões de setores marginalizados como indígenas e Gays, Lésbicas, Bissexuais, Transexuais, Transgêneros e Travestis.
Para o representante do CPC 8 de Março destaca que a promoção destas mudanças tem forte impacto na vida da juventude como um todo. “Sem exercitar o direito à fruição cultural, os jovens têm dificuldades para se desenvolverem, têm limitado não apenas seu direito ao divertimento mas, principalmente, ao aprendizado e ao crescimento pessoal”, diz.

